Artigo de Revisão - O Exercício Físico como forma de prevenção e manutenção da Saúde Mental
2012-09-11
Mário Sá

Por Mário Sá
Licenciado em Educação Física e Desporto – Ramo de Exercício em Bem-Estar;
Pós Graduado em Direção Técnica de Ginásios e Health Clubs.

Personal Trainer .


Resumo
O objetivo desta revisão é trazer parte de estudos sobre um assunto pouco explorado: O Exercício Físico como forma de prevenção e manutenção da Saúde Mental.

De elevada importância perceber até que ponto o exercício físico planeado provoca efeitos fisiológicos, bioquímicos, mas acima de tudo psicológicos.


Introdução
A saúde deve ser entendida de uma forma global, “não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade, mas como estado de completo bem-estar físico, mental e social”. Sabe-se que a maioria das doenças mentais e físicas é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais (OMS, 2001)

Pensar no Exercício Físico é pensar de forma imediata nos benefícios físicos de forma real e palpável, tais como, diminuição do peso corporal, ganhos de força, diminuição da pressão arterial, diminuição da frequência cardíaca em repouso, etc. contudo, e muitas são as vezes que os profissionais de saúde se esquecem dos benefícios em relação à condição mental, como por exemplo, elevação da auto estima, melhoria da noção corporal, melhoria da capacidade de concentração e de memória, implementação das relações psicossociais, diminuição da ansiedade, tensão e depressão, entre muitas outras.

Portugal lidera o ranking europeu de doenças mentais, entre as perturbações psiquiátricas, a ansiedade é que lidera, com 16,5 por cento, seguida das doenças do foro depressivo, com 7,9 por cento. (1)


Exercício Físico e sua prescrição para obter ganhos de saúde
Segundo Cooper (1982), o exercício físico, em particular o chamado aeróbio, realizado com intensidade moderada e longa duração (a partir de 30 minutos) propicia alívio do stresse ou tensão, devido a um aumento da taxa de um conjunto de hormonas denominadas endorfinas que agem sobre o sistema nervoso, reduzindo o impacto stressante do ambiente e com isso pode prevenir ou reduzir transtornos depressivos, o que é com provado por vários estudos. (2)

American College of Sports Medicine (ACSM) e a American Heart Association (AHA), recomenda que todos os adultos sadios com 18 a 65 anos de idade realizem uma atividade física aeróbia de intensidade moderada no mínimo de 30 minutos 5 vezes por semana, ou uma atividade vigorosa por um mínimo de 20 minutos 3 dias por semana, no sentido de obter benefícios de saúde. (3)


Exercício físico e relação com fatores psicológicos
Rejeski et al. (1996), evidenciam uma relação positiva entre redução de níveis de ansiedade e de depressão e a prática de atividade física que resulta numa melhora na aptidão física. (4)

Admite-se que o exercício físico regular e planeado contribua para a minimização do sofrimento psíquico causado pelo quadro depressivo (Malher et al., 2002). (5)

Estudos realizados nos EUA afirmam que a prática sistemática de exercício físico para a população em geral está associada à ausência ou a poucos sintomas depressivos ou de ansiedade. Mesmo com indivíduos diagnosticados clinicamente como depressivos, o exercício físico tem se mostrado eficaz na redução dos sintomas associados à depressão. (6)

Landers (1997), analisou mais de 100 estudos e observou que sessões frequentes de exercício físico aeróbico por um período superior a 10 semanas produzem um efeito antidepressivo maior. A pesquisa também mostrou que o exercício físico diminui a depressão mais do que sessões de relaxamento em ambiente agradável. Para este autor, o exercício representa um meio adjunto positivo para o tratamento da depressão. (7)


Considerações finais
Diante dos estudos acima mencionados, verifica-se que o exercício físico sistematizado pode acarretar diversos benefícios tanto na esfera física quanto mental do ser humano, proporcionando uma melhor qualidade de vida.

O Exercício Físico deverá ser visto como uma importante abordagem não farmacológica que contribui para o desenvolvimento da auto estima e da confiança do indivíduo.

O profissional de Educação Física é peça importante neste contexto, uma vez que deve prescrever exercício físico considerando os princípios de treino, para que o praticante realize o treino dentro das suas capacidades físicas, podendo assim, usufruir dos benefícios psicológicos.



Referências:

  • (1) www.jornaldigital.com – 24 de Março de 2010;
  • (2) Cooper, K. (1982). O programa aeróbico para o bem-estar total. Rio de Janeiro: Nórdica
  • (3) Diretrizes do ACSM para testes de esforço e sua prescrição / American College of Sports Medicine – Rio de Janeiro (2010), pág.: 5;
  • (4) Rejeski WJ, Brawley LR, Shumaker SA. Physical activity and healthrelated quality of life. Exerc Sport Sci Rev 1996;24:71-108;
  • (5) Mather, A.S.; Rodríguez, C.; Guthrie, M.F. et al.. (2002). Effects of exercise on depressive symptoms in older adults with poorly responsive depressive disorder. Randomized controlled trial. British Journal of Psychiatry, v, 180, p. 411-415;
  • (6) Grosz HJ, Farmer BB. Pitts’ and McClure’s lactate-anxiety study revisited. Br J Psychiatry 1972;120:415-8;
  • (7) Landers DM. The influence of exercise on mental health. President’s Council on Physical Fitness and Sports Research Digest 1997;2 (2) :89-98.

 

 

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