E quando ficamos deprimidos?
2013-10-07
Dr. Diogo Guerreiro, Psiquiatra

A depressão é uma das doenças mais comuns, a nível mundial e em Portugal. Dados de investigação indicam que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens, possam vir a ter um episódio depressivo durante a sua vida.
 

A Organização Mundial da Saúde estima que, até 2030, a depressão irá ser a doença mais comum a nível global, afectando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo cancro ou doenças cardiovasculares.


Uma perturbação depressiva é uma doença que envolve o corpo, o humor, os comportamentos e os pensamentos. Afecta a maneira como a pessoa come e dorme, o comportamento, a visão que tem de si e o modo de pensar sobre as coisas.


O que a depressão não é:

  • “Estar em baixo” ou simplesmente triste, como acontece várias vezes ao longo da vida em situações esperadas como perdas, lutos ou insucessos
  • Um sinal de fraqueza pessoal
  • Motivo de vergonha
  • Uma situação que se possa resolver de forma voluntária, as pessoas deprimidas não conseguem simplesmente controlar os seus pensamentos e atitudes e ficar melhores
  • Uma doença incurável ou crónica

O seu diagnóstico passa muitas vezes despercebido, quer por falta de reconhecimento da depressão como doença, quer porque os seus sintomas são atribuídos a outras causas (doenças físicas, stress, etc.). Sem o tratamento apropriado, os sintomas podem manter-se durante semanas, meses ou anos; no entanto, o tratamento correto beneficia a maioria das pessoas deprimidas.


Embora a característica mais típica dos estados depressivos seja a proeminência dos sentimentos de tristeza ou vazio, nem todos os doentes relatam essas sensações. Muitos referem, sobretudo, a perda da capacidade de experimentar prazer nas atividades em geral e a redução do interesse pelo meio externo.


Estes são os principais sintomas de uma depressão:

  • Sentimentos de tristeza e de vazio
  • Perda de interesse e prazer nas actividades diárias
  • Diminuição da energia, fadiga e lentidão
  • Irritabilidade, tensão ou agitação
  • Sensações de aflição, preocupação com tudo, receios infundados, insegurança e medos
  • Perturbação do apetite (com ou sem variação de peso)
  • Perturbação do sono
  • Perturbação do desejo sexual
  • Pessimismo e perda de esperança
  • Sentimentos de culpa, de auto-desvalorização e ruína
  • Alterações da concentração, memória e raciocínio
  • Sintomas físicos não devidos a outra doença (ex. dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal-estar geral)
  • Ideias de morte e tentativas de suicídio

A origem da depressão, está longe de ser totalmente compreendida. Muitos casos de depressão ocorrem após determinados eventos “stressantes”, no entanto nem todas as pessoa ficam deprimidas nessas circunstâncias. A probabilidade de certa pessoa vir a sofrer de uma perturbação depressiva depende de uma complexa interação entre factores biológicos, psicológicos e sociais.


Existem vários tipos de “depressões” que se enquadram em diferentes diagnósticos clínicos. É muito importante a realização de um diagnóstico correcto, que terá implicações ao nível do tratamento, prognóstico e acompanhamento. Estes são os diagnósticos mais comuns:

  • Depressão Major
  • Perturbação de ajustamento
  • Doença Bipolar
  • Ciclotimia
  • Distimia
  • Depressão pós-parto
  • Perturbação depressiva sazonal
  • Depressão associada a doença física
  • Depressão associada a abuso de substâncias

A maioria dos doentes deprimidos melhoram com o tratamento apropriado. A escolha do tratamento vai depender do diagnóstico, gravidade dos sintomas e preferências do doente. As duas principais formas de tratamento são a medicação (antidepressivos ou estabilizadores do humor) e a psicoterapia (cuja técnica deve ser personalizada à situação clinica de cada doente).


Felizmente, hoje em dia, os tratamentos são cada vez mais eficazes e com cada vez menos efeitos secundários. Podemos assim prevenir as consequências negativas da depressão crónica (não tratada) como as dificuldades laborais, o insucesso escolar, o isolamento, dificuldades cognitivas, rupturas afectivas e, em casos extremos, o suicídio.


Pela sua saúde, não desvalorize o sintomas da depressão! A taxa de sucesso de uma depressão é inversamente proporcional ao tempo de doença não tratada, ou seja, quanto mais se “deixar andar” uma depressão mais difícil será o tratamento.
 

 

 

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