Psicoterapia de Luto
2015-04-20
André Viegas, Psicólogo Clínico

André Viegas - Psicólogo Clínico
 

Um dos acontecimentos vitais mais stressantes com que pode deparar-se o ser humano, é a perda de alguém que ama.


O luto é um processo natural de adaptação à perda de alguém ou algo significativo pelo qual todo o ser humano passa (por morte, fim de relações, emprego, saúde, etc.).

O luto é universal — o ser humano nasce e desenvolve-se através da vinculação com outros seres humanos, a partir da qual recebe e dá amor. É pois inevitável o sofrimento associado ao fim de cada vínculo afetivo significativo.


O luto não é uma doença que há que evitar ou curar-se, mas antes uma reação a uma perda que afeta todas as dimensões do funcionamento humano: físico, emocional, cognitivo, comportamental, relacional e espiritual.


Ainda que a maioria das pessoas em luto não necessite de ajuda especializada, sabe-se que para aproximadamente 10% destas pessoas a experiência de perda é mais complexa na medida em que, apesar do tempo, constata-se uma interferência notória no seu funcionamento geral – uma incapacidade de reorganização das relações familiares, de amizade ou de trabalho e outras atividades importantes, originando-se problemas de saúde variados e, por isso, deixando a pessoa exposta a um maior risco de morte (Payás, A., 2010). Nestas situações de luto complicado é necessária ajuda profissional.


Tendo em conta que em Portugal há aproximadamente 100.000 falecimentos por ano (INE, PORDATA, 2014), e que, segundo o Grief Índex (Lathamn & Prigerson, 2004; Barry, 2001 referidos por Payás, 2010), por cada falecimento existem em média 6 pessoas em luto, pode calcular-se que em cada ano existem 60.000 novos casos de luto complicado no nosso país.

O objetivo da Terapia do Luto é de acompanhar a pessoa num espaço de segurança, confiança, respeito e de não patologização (Payás, A., 2010), no processo difícil de aprender a viver sem o ente querido; acompanhar na adaptação a uma realidade em que nada volta a ser o mesmo, nem sequer o próprio, sendo importante que a pessoa integre, ao seu ritmo, a perda na sua nova identidade para que o luto não se complique e origine situações de maior mal-estar.

 

 

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