Cessação tabágica
2018-02-15
Dr. Ludgero Linhares

O tabagismo é um dos maiores problemas de saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que seja responsável pela morte de cerca de 7 milhões de pessoas por ano.


O consumo do tabaco continua a ser a principal causa evitável de morte em todo o mundo. Apesar das diversas campanhas informativas e de sensibilização, alguns estudos salientam que muitos fumadores ainda desconhecem a maioria dos efeitos do tabaco sobre a saúde. Tendo na sua composição inúmeras substâncias tóxicas, algumas das quais cancerígenas, o fumo tabaco é fator de risco para várias doenças, sobretudo respiratórias, neoplásicas e cardiovasculares.


Em Portugal, os dados mais recentes apontam para um número superior a 11 800 mortes por ano devido ao fumo, estimando-se que cerca de 20% da população portuguesa seja fumadora. O consumo inicia-se habitualmente entre a adolescência e início da idade adulta, variando o seu padrão ao longo da vida. Após o início, desenvolve-se dependência física (nicotina) e psicológica, o que dificulta eventuais tentativas de parar de fumar.


Permanecem alguns mitos enraizados na sociedade:

  • Há um consumo mínimo inofensivo
  • Com persistência consegue-se deixar de fumar
  • Fumadores que não param de fumar não têm força de vontade
  • É impossível parar os consumos quando se gosta de fumar
  • O tratamento para deixar de fumar é todo igual
  • Os cigarros eletrónicos são inofensivos
  • Se não tragar o fumo, não faz mal fumar
  • Um ex-fumador consegue voltar a fumar sem ficar dependente

Os efeitos benéficos para a saúde em deixar de fumar são vários, podendo verificar-se alguns a curto prazo, logo após a abstinência.


Benefícios por período de abstinência:

  • 20 minutos – diminuição dos valores de tensão arterial e frequência cardíaca
  • 12 horas – redução dos níveis de monóxido de carbono; melhor oxigenação do sangue
  • 2 a 12 semanas – melhor circulação e função pulmonar
  • 1 a 9 meses – diminuição da tosse e da dificuldade em respirar
  • 1 ano – o risco de enfarte passa a metade do de um fumador
  • 5 anos – risco de AVC igual ao de um não fumador
  • 10 anos – risco de cancro do pulmão diminui para metade do risco de um fumador; diminuição do risco de cancro da boca, esófago, laringe, bexiga, colo do útero e pâncreas
  • 15 anos – risco de doença cardiovascular igual ao de um não fumador


Nos últimos anos, é crescente o número de pessoas que procuram ajuda médica. O tratamento consiste numa avaliação individualizada e plano personalizado, procurando o controlo dos sintomas de abstinência, abordagem da dependência psicológica e prevenção da recaída.

 

Dr. Ludgero Linhares

 

 

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