A medicina é a arte em que se vê o homem com outros olhos e o sente com outro coração.

A psiquiatria como área da medicina mantém, desde o seu início, um estigma, associado a um imaginário repleto de medos e terrores de um desconhecido assombramento, fantasmagórico e diabolizado de um ser possuído, levando à sua marginalização, senão a uma condenação.

O olhar para a pessoa que sofre e a procura da compreensão desta realidade, levou a uma atitude mais tolerante na sua abordagem, acompanhamento e apoio.

A evolução e a investigação na medicina, permitiu um conhecimento mais objectivo das doenças psiquiátricas e o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes alterando, favoravelmente, de modo radical a sua evolução, na diminuição dos sintomas, maior equilíbrio pessoal, melhor envolvência familiar, integração social e profissional de pessoas sofridas e marginalizadas.

O ser humano no seu funcionamento mantém conexão entre todos os seus órgãos, em funcionalidade integrada, não deixando de se repercutir no todo as anormalidades de uma parte.

A complexidade deste funcionamento orgânico, em que aspectos de cariz psicológico também estão presentes, desencadeou um novo olhar para o ser humano, numa abordagem social e espiritual.

A pessoa, ser físico, psicológico, relacional e anímico, ao ser exposta a circunstâncias anómalas, pode desencadear sintomatologia clínica, que de modo insidioso e lento, contribui para uma disfunção no modo e sentido da sua vida, perturbando e comprometendo o seu desempenho familiar, social e profissional.

A importância de olhar e sentir estes aspectos, que muitas vezes não valorizamos, protelando a sua abordagem, pode contribuir para uma intervenção mais precoce nas crises e sua resolução, evitando as consequências gravosas e irremediáveis da sua evolução.

A história da psiquiatria mostra-nos uma evolução muito rápida, menos “curandeirista”, mais científica, mais eficaz, mais abrangente do ser que sofre, tendo como centralidade a sua Humanidade.

 

A. Manuel dos Santos
Especialista em Psiquiatria pela Ordem dos Médicos

NECESSITA DE UM CONSULTÓRIO?