{"id":28497,"date":"2012-04-11T13:11:12","date_gmt":"2012-04-11T12:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/?p=28497"},"modified":"2019-01-29T19:56:50","modified_gmt":"2019-01-29T19:56:50","slug":"o-papel-das-familias-na-doenca-bipolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/2012\/04\/o-papel-das-familias-na-doenca-bipolar\/","title":{"rendered":"O papel das fam\u00edlias na Doen\u00e7a Bipolar"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;section&#8221; width_unit=&#8221;off&#8221; fullwidth=&#8221;on&#8221; specialty=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; next_background_color=&#8221;#000000&#8243; custom_padding_tablet=&#8221;50px|0|50px|0&#8243; custom_padding_last_edited=&#8221;on|desktop&#8221;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;ARTIGOS&#8221; scroll_down_icon=&#8221;\ue04c&#8221; background_color=&#8221;#3d4b59&#8243; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; background_image=&#8221;https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/tild3636-6265-4163-b562-616631623338__fonemma.png&#8221; \/][et_pb_fullwidth_post_title _builder_version=&#8221;3.9&#8243; featured_image=&#8221;off&#8221; categories=&#8221;off&#8221; comments=&#8221;off&#8221; \/][\/et_pb_section][et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; prev_background_color=&#8221;#000000&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.9&#8243;]<\/p>\n<p><strong>A fam\u00edlia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o eminentemente humana. Para o seu completo desenvolvimento, foram necess\u00e1rios uma consci\u00eancia e um auto-controlo que nenhuma outra esp\u00e9cie conseguiu alcan\u00e7ar. A constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia foi essencial para a civiliza\u00e7\u00e3o e proporcionou um modelo para a organiza\u00e7\u00e3o social, anterior ao aparecimento do \u201cestado\u201d. A fam\u00edlia originou-se da vit\u00f3ria do primado do amor sobre o primado da satisfa\u00e7\u00e3o do desejo sexual. Uma vez controlado tal desejo, a fam\u00edlia facilita a criatividade e viv\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/strong><\/p>\n<p>A fam\u00edlia implica uma uni\u00e3o volunt\u00e1ria com durabilidade suficiente para estabelecer uma coer\u00eancia cultural e afectiva entre os pais e os filhos. Dessa maneira, a fam\u00edlia nuclear, cria la\u00e7os afectivos e de compromisso que dever\u00e3o ser hierarquicamente, e legalmente, superiores a quaisquer outros que qualquer elemento estabele\u00e7a com outro da comunidade, at\u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de nova fam\u00edlia. Contudo, hoje, a nova fam\u00edlia n\u00e3o surge apenas quando um dos filhos se casa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temos assistido a mudan\u00e7as significativas na estrutura familiar. A fam\u00edlia tradicional sofreu s\u00e9rias transforma\u00e7\u00f5es. Modifica\u00e7\u00f5es nas estruturas familiares s\u00e3o hoje cada vez mais frequentes. Como acontece ap\u00f3s ocorrer o div\u00f3rcio que, termina com a rela\u00e7\u00e3o conjugal. O agregado familiar constitu\u00eddo por pais e filhos com uma organiza\u00e7\u00e3o temporo-espacial est\u00e1vel \u00e9 hoje rara. De facto, a conceptualiza\u00e7\u00e3o \u201ccl\u00e1ssica\u201d do ciclo de vida da fam\u00edlia ( 1 &#8211; Casal sem filhos; 2 &#8211; Casal com filhos: crian\u00e7as, adolescentes, adultos jovens; 3 &#8211; Casal novamente sem filhos a residir no mesmo espa\u00e7o) \u00e9 hoje, muito mais um conceito que uma realidade. Por outro lado, a coes\u00e3o familiar \u00e9 hoje muito diferente. A partilha de tempo e de espa\u00e7o entre os v\u00e1rios elementos \u00e9 hoje muito reduzida.<\/p>\n<p>Acresce, que na sociedade europeia contempor\u00e2nea, a mulher tem um papel social t\u00e3o importante quanto o homem e a educa\u00e7\u00e3o dos jovens est\u00e1 muito ligada \u00e0 sua capacidade de interagir com outros elementos de dentro e de fora da comunidade. As fronteiras pol\u00edticas, como as familiares, ficaram muito perme\u00e1veis. Delega-se nas escolas a responsabilidade da educa\u00e7\u00e3o dos filhos e nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade a abordagem dos problemas de sa\u00fade. A aus\u00eancia, impede a intimidade e desresponsabiliza.<\/p>\n<p>A \u201csociedade de comunica\u00e7\u00e3o\u201d que se tem vindo a desenvolver desde o p\u00f3s-guerra, tem levado, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um \u201cespa\u00e7o hiperp\u00fablico\u201d. Criaram-se \u201csalas de chat\u201d, a Internet permitiu a ilus\u00e3o do \u201cparceiro ideal\u201d, porque imagin\u00e1rio, ouvidor e confessor. A liga\u00e7\u00e3o social \u00e9 hoje, muito mais ampla, mas tamb\u00e9m muito fr\u00e1gil. As fam\u00edlias v\u00eam os seus tempos de conv\u00edvio monopolizados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e pela inform\u00e1tica. De facto, os media apoderaram-se da comunica\u00e7\u00e3o e as antigas formas de comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o mais usadas. As fam\u00edlias encontram-se mais isoladas e nucleares, s\u00f3 se encontrando em rituais, de forma pouco aut\u00eantica, num mimetismo da normaliza\u00e7\u00e3o mediatizada. Em grande medida, os media t\u00eam vindo a impor uma orienta\u00e7\u00e3o externa da ac\u00e7\u00e3o humana. Grande parte dos comportamentos humanos s\u00e3o determinados pelos media. Existe uma certa confus\u00e3o entre os fen\u00f3menos reais e a sua representa\u00e7\u00e3o, passando estes a ter, em grande parte, o valor da realidade. Assim, a emerg\u00eancia de fen\u00f3menos privados, como as altera\u00e7\u00f5es do comportamento, tendem a ser vistos como marginais, aberrantes e mesmo anti-sociais. Muitas vezes a reac\u00e7\u00e3o imediata do c\u00f4njuge do doente mental ainda jovem, \u00e9 a fuga ao problema e a vontade de o \u201cdevolver\u201d \u00e0 fam\u00edlia origin\u00e1ria, como se esta fosse a \u00fanica com solidez suficiente para \u201caguentar\u201d tal fen\u00f3meno.<\/p>\n<p>Por outro lado, a \u201csociedade da comunica\u00e7\u00e3o\u201d imp\u00f5e uma racionalidade dos comportamentos e os limites da normalidade do comportamento humano est\u00e3o agora mais estreitos. Instalou-se de certa maneira, uma \u201cditadura da normalidade\u201d que gera muito mais vezes o sentimento de exclus\u00e3o.<br \/>Cada vez mais, \u00e9 em fam\u00edlias, muito nucleares ou monoparentais e com fraca coes\u00e3o emocional que, o doente bipolar tem de encontrar apoios.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as de humor e a imprevisibilidade com que estas acontecem no doente bipolar, s\u00e3o provavelmente a maior fonte de stress na estrutura familiar. Tratando-se de um perturba\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, importa que a fam\u00edlia desde logo se inteire do diagnostico, hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a, do seu tratamento e progn\u00f3stico. De facto, o papel da fam\u00edlia pode nesta situa\u00e7\u00e3o, ser t\u00e3o ou mais importante que a ajuda especializada, sendo certo que os casos de melhor evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o os dos doentes que contam com um apoio familiar consistente.<\/p>\n<p>O surgimento da doen\u00e7a causa inevitavelmente um desvio na evolu\u00e7\u00e3o natural da estrutura familiar. N\u00e3o raras vezes, o aparecimento da sintomatologia altera as rela\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio familiar de forma centrifuga, \u201capanhando\u201d membros, fora do contexto familiar, e amigos. Como uma pedra que cai em \u00e1guas serenas, a bipolaridade gera \u201condas\u201d que se estendem muito para al\u00e9m das \u201cfronteiras\u201d familiares. Frequentemente surgem conflitos com os colegas de trabalho e o desemprego surge demasiadas vezes. Os amigos, reequacionam a sua rela\u00e7\u00e3o com a pessoa que se revelou bipolar. Por outro lado, os mitos existentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 doen\u00e7a mental s\u00e3o, ainda hoje, suficientemente fortes para influenciarem de forma negativa todos os que s\u00e3o atingidos pela \u201conda centrifuga\u201d. Geralmente, contudo, a fam\u00edlia consegue esclarecer-se em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico e a partir da\u00ed, pode passar por fases de grande inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de resistir a este desafio, de culpabilidade e mesmo de dramatismo excessivos, chegando eventualmente a uma fase de aceita\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, conseguindo \u201celeger\u201d o elemento que, com maior lucidez, consegue lidar com a pessoa doente. Assim, em cada fam\u00edlia, ir\u00e1 surgir um elemento que se sentir\u00e1 mais capaz de lidar com o doente bipolar. Tal papel n\u00e3o tem de caber necessariamente ao familiar legalmente mais pr\u00f3ximo. De facto a \u201cerup\u00e7\u00e3o\u201d da doen\u00e7a pode acontecer numa fam\u00edlia j\u00e1 muito fragilizada, levando \u00e0 sua rotura. Neste caso pode acontecer, ser um cunhado, ou outro familiar, a tomar conta da situa\u00e7\u00e3o e ser ele a ponte entre o doente e os t\u00e9cnicos de sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Qualquer doen\u00e7a cr\u00f3nica que se instala num dos elementos de uma fam\u00edlia, leva a que esta interrompa o seu desenvolvimento para se focar no elemento doente. Este fen\u00f3meno pode levar \u00e0 cristaliza\u00e7\u00e3o de processos que estavam em fase evolutiva, e assim, \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o de um estado de lat\u00eancia no desenvolvimento da estrutura familiar que, pode realmente ter consequ\u00eancias graves para todos os elementos, nomeadamente para o doente. Importa desde logo, que o m\u00e9dico que diagnostica a situa\u00e7\u00e3o informe o doente e a fam\u00edlia das possibilidades de preven\u00e7\u00e3o e tratamento das fases de agudiza\u00e7\u00e3o. De facto, o doente bipolar n\u00e3o deve ser considerado nem pela fam\u00edlia, nem por ele pr\u00f3prio, algu\u00e9m marcado pelo infort\u00fanio para quem s\u00e3o insuficientes todos os movimentos centr\u00edpetos dos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos. Antes, deve o doente ser responsabilizado pelo seu tratamento e pelo refor\u00e7o dos movimentos de cumplicidade que lhe s\u00e3o oferecidos. Por isso mesmo, o doente e a fam\u00edlia devem ser informados plenamente sobre a doen\u00e7a e devem estar conscientes que a doen\u00e7a bipolar \u00e9 potencialmente uma perturba\u00e7\u00e3o muito grave e que representa risco de vida para o doente. Tal como uma diabetes n\u00e3o controlada por neglig\u00eancia do pr\u00f3prio doente, a facilita\u00e7\u00e3o em que muitas vezes o doente bipolar cai, deve ser denunciada pela sua fam\u00edlia como desrespeito \u00e0 sua pr\u00f3pria pessoa e assim \u00e0 fam\u00edlia como um todo emocional. Por isso mesmo, o elemento \u201celeito\u201d da fam\u00edlia deve acompanhar o doente \u00e0s consultas e intervir de forma sensata na informa\u00e7\u00e3o a prestar ao cl\u00ednico que acompanha o doente. A doen\u00e7a bipolar \u201cinstala-se\u201d numa pessoa, mas afecta todos os elementos familiares. Estes elementos da fam\u00edlia, podem muitas vezes precisar de ser ajudados a resolver sentimentos de impot\u00eancia e de desespero que pertinentemente s\u00e3o levados a sentir. S\u00f3 com informa\u00e7\u00e3o e apoio \u00e9 que a fam\u00edlia do doente bipolar poder\u00e1 ser \u00fatil no acompanhamento do doente e prevenir pr\u00f3pria \u201cdistor\u00e7\u00e3o\u201d na sua din\u00e2mica natural. A procura de informa\u00e7\u00e3o e a partilha de experi\u00eancias, por parte de elementos ligados afectivamente ao doente, familiares ou n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 inteiramente leg\u00edtima, como pertinente.<\/p>\n<p>Tratando-se a doen\u00e7a bipolar de uma perturba\u00e7\u00e3o que leva a altera\u00e7\u00f5es graves no dom\u00ednio dos afectos, \u00e9 muito frequente que a fam\u00edlia sinta, por um lado uma certa culpabilidade na tentativa da compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o e por outro uma certa frustra\u00e7\u00e3o na sua tentativa de impor o bom-senso e na sua participa\u00e7\u00e3o activa no tratamento. Assim, o principal papel da fam\u00edlia do doente bipolar \u00e9 o de criar um clima de confian\u00e7a e de abertura. Tal empenhamento deve ser refor\u00e7ado nos per\u00edodos inter-cr\u00edticos. Na grande maioria das situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o faz sentido considerar o doente como pessoa a desrespeitar ou ser entendida como \u201cmenor\u201d no papel que lhe cabe na estrutura familiar. Pelo contr\u00e1rio, muitas vezes a doen\u00e7a mental, leva \u00e0 den\u00fancia de que existiam falhas graves na comunica\u00e7\u00e3o entre os membros da fam\u00edlia. O aparecimento da doen\u00e7a pode e deve levar \u00e0 correc\u00e7\u00e3o de tais falhas e n\u00e3o ao agravamento destas. \u00c9 t\u00e3o importante procurar ajuda especializada, quanto restaurar um clima de intimidade, de confian\u00e7a b\u00e1sica, com a pessoa com doen\u00e7a bipolar. As fam\u00edlias n\u00e3o devem considerar que a doen\u00e7a \u00e9 uma \u201cfaceta\u201dda pessoa, que s\u00f3 o psiquiatra pode abordar, compreender e tratar. Pelo contr\u00e1rio, a viv\u00eancia quotidiana com o doente pode levar a fam\u00edlia a reconhecer com maior perspic\u00e1cia, os factores potencialmente desencadeantes e, com maior precocidade, os sinais de descompensa\u00e7\u00e3o.<br \/>Contudo, \u00e9 sensato considerar que a irritabilidade, a altivez, a turbul\u00eancia e mesmo agressividade do doente em estado de mania, devem ser entendidas como fruto de um ju\u00edzo patol\u00f3gico, devendo suscitar uma preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma cr\u00edtica \u00e0 pessoa doente. Por outro lado, certas afirma\u00e7\u00f5es do doente quando est\u00e1 deprimido, devem ser alvo da maior aten\u00e7\u00e3o devendo o elemento familiar mais \u201cpr\u00f3ximo\u201d manifestar interesse em aprofundar qu\u00e3o triste e desesperado o doente est\u00e1. Tal manifesta\u00e7\u00e3o de interesse, al\u00e9m de permitir ao doente sentir que se pode \u201cabrir\u201d e partilhar os seus receios mais \u201c\u00edntimos\u201d, enfatiza a rela\u00e7\u00e3o afectiva e alivia a solid\u00e3o do doente. S\u00f3 com tal investimento afectivo, \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 fam\u00edlia um papel activo no cumprimento da medica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o restabelecimento de um di\u00e1logo aberto e empenhado permite \u00e0 fam\u00edlia aperceber-se da chegada das crises de modo \u00fatil.<\/p>\n<p>Sendo um doente bipolar algu\u00e9m com dificuldades na gest\u00e3o dos afectos e emo\u00e7\u00f5es, este deve contar com uma fam\u00edlia que tenha um papel estruturante e coerente muito mais alicer\u00e7ado na intimidade e na cumplicidade, que na disciplina ou no autoritarismo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ant\u00f3nio Sampaio<br \/><em>Psiquiatra Assistente graduado do H.J.M.<\/em><br \/><em>Mestre em Neuroci\u00eancias<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><br \/>L.-Strauss; K. Gough;M. Spirou. &#8211;<strong> A Fam\u00edlia como Institui\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; Res Editora, Lda.1977.<br \/>Sampaio, D. \u2013 <strong>A Perspectiva sist\u00e9mica em Cl\u00ednica geral \u2013 Revista portuguesa de Cl\u00ednica Geral<\/strong>, 1988 \u2013 n\u00ba 32; 18-21<br \/>Trigueiros, A.; Santos, N. \u2013 <strong>Doen\u00e7a e Fam\u00edlia \u2013 Fam\u00edlia: Sa\u00fade e Doen\u00e7a<\/strong>. Instituto de Cl\u00ednica geral da Zona Sul, 1994<br \/>Breton, P. \u2013 <strong>L\u2019 utopie de la communication<\/strong> \u2013 \u00c9ditions La D\u00e9couverte, 1992<br \/>Mondimore, F. \u2013 <strong>Bipolar Disorder. A guide for patients and families<\/strong> \u2013 The Johns Hopkins University Press, 2002.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fam\u00edlia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o eminentemente humana. Para o seu completo desenvolvimento, foram necess\u00e1rios uma consci\u00eancia e um auto-controlo que nenhuma outra esp\u00e9cie conseguiu alcan\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"<p>A fam\u00edlia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o eminentemente humana. Para o seu completo desenvolvimento, foram necess\u00e1rios uma consci\u00eancia e um auto-controlo que nenhuma outra esp\u00e9cie conseguiu alcan\u00e7ar. A constitui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia foi essencial para a civiliza\u00e7\u00e3o e proporcionou um modelo para a organiza\u00e7\u00e3o social, anterior ao aparecimento do \u201cestado\u201d. A fam\u00edlia originou-se da vit\u00f3ria do primado do amor sobre o primado da satisfa\u00e7\u00e3o do desejo sexual. Uma vez controlado tal desejo, a fam\u00edlia facilita a criatividade e viv\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p><p>A fam\u00edlia implica uma uni\u00e3o volunt\u00e1ria com durabilidade suficiente para estabelecer uma coer\u00eancia cultural e afectiva entre os pais e os filhos. Dessa maneira, a fam\u00edlia nuclear, cria la\u00e7os afectivos e de compromisso que dever\u00e3o ser hierarquicamente, e legalmente, superiores a quaisquer outros que qualquer elemento estabele\u00e7a com outro da comunidade, at\u00e9 \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de nova fam\u00edlia. Contudo, hoje, a nova fam\u00edlia n\u00e3o surge apenas quando um dos filhos se casa. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, temos assistido a mudan\u00e7as significativas na estrutura familiar. A fam\u00edlia tradicional sofreu s\u00e9rias transforma\u00e7\u00f5es. Modifica\u00e7\u00f5es nas estruturas familiares s\u00e3o hoje cada vez mais frequentes. Como acontece ap\u00f3s ocorrer o div\u00f3rcio que, termina com a rela\u00e7\u00e3o conjugal. O agregado familiar constitu\u00eddo por pais e filhos com uma organiza\u00e7\u00e3o temporo-espacial est\u00e1vel \u00e9 hoje rara. De facto, a conceptualiza\u00e7\u00e3o \u201ccl\u00e1ssica\u201d do ciclo de vida da fam\u00edlia ( 1 - Casal sem filhos; 2 - Casal com filhos: crian\u00e7as, adolescentes, adultos jovens; 3 - Casal novamente sem filhos a residir no mesmo espa\u00e7o) \u00e9 hoje, muito mais um conceito que uma realidade. Por outro lado, a coes\u00e3o familiar \u00e9 hoje muito diferente. A partilha de tempo e de espa\u00e7o entre os v\u00e1rios elementos \u00e9 hoje muito reduzida.<\/p><p>Acresce, que na sociedade europeia contempor\u00e2nea, a mulher tem um papel social t\u00e3o importante quanto o homem e a educa\u00e7\u00e3o dos jovens est\u00e1 muito ligada \u00e0 sua capacidade de interagir com outros elementos de dentro e de fora da comunidade. As fronteiras pol\u00edticas, como as familiares, ficaram muito perme\u00e1veis. Delega-se nas escolas a responsabilidade da educa\u00e7\u00e3o dos filhos e nas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade a abordagem dos problemas de sa\u00fade. A aus\u00eancia, impede a intimidade e desresponsabiliza.<\/p><p>A \u201csociedade de comunica\u00e7\u00e3o\u201d que se tem vindo a desenvolver desde o p\u00f3s-guerra, tem levado, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um \u201cespa\u00e7o hiperp\u00fablico\u201d. Criaram-se \u201csalas de chat\u201d, a Internet permitiu a ilus\u00e3o do \u201cparceiro ideal\u201d, porque imagin\u00e1rio, ouvidor e confessor. A liga\u00e7\u00e3o social \u00e9 hoje, muito mais ampla, mas tamb\u00e9m muito fr\u00e1gil. As fam\u00edlias v\u00eam os seus tempos de conv\u00edvio monopolizados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social e pela inform\u00e1tica. De facto, os media apoderaram-se da comunica\u00e7\u00e3o e as antigas formas de comunica\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o mais usadas. As fam\u00edlias encontram-se mais isoladas e nucleares, s\u00f3 se encontrando em rituais, de forma pouco aut\u00eantica, num mimetismo da normaliza\u00e7\u00e3o mediatizada. Em grande medida, os media t\u00eam vindo a impor uma orienta\u00e7\u00e3o externa da ac\u00e7\u00e3o humana. Grande parte dos comportamentos humanos s\u00e3o determinados pelos media. Existe uma certa confus\u00e3o entre os fen\u00f3menos reais e a sua representa\u00e7\u00e3o, passando estes a ter, em grande parte, o valor da realidade. Assim, a emerg\u00eancia de fen\u00f3menos privados, como as altera\u00e7\u00f5es do comportamento, tendem a ser vistos como marginais, aberrantes e mesmo anti-sociais. Muitas vezes a reac\u00e7\u00e3o imediata do c\u00f4njuge do doente mental ainda jovem, \u00e9 a fuga ao problema e a vontade de o \u201cdevolver\u201d \u00e0 fam\u00edlia origin\u00e1ria, como se esta fosse a \u00fanica com solidez suficiente para \u201caguentar\u201d tal fen\u00f3meno.<\/p><p>Por outro lado, a \u201csociedade da comunica\u00e7\u00e3o\u201d imp\u00f5e uma racionalidade dos comportamentos e os limites da normalidade do comportamento humano est\u00e3o agora mais estreitos. Instalou-se de certa maneira, uma \u201cditadura da normalidade\u201d que gera muito mais vezes o sentimento de exclus\u00e3o.<br \/>Cada vez mais, \u00e9 em fam\u00edlias, muito nucleares ou monoparentais e com fraca coes\u00e3o emocional que, o doente bipolar tem de encontrar apoios.<\/p><p>As mudan\u00e7as de humor e a imprevisibilidade com que estas acontecem no doente bipolar, s\u00e3o provavelmente a maior fonte de stress na estrutura familiar. Tratando-se de um perturba\u00e7\u00e3o cr\u00f3nica, importa que a fam\u00edlia desde logo se inteire do diagnostico, hist\u00f3ria natural da doen\u00e7a, do seu tratamento e progn\u00f3stico. De facto, o papel da fam\u00edlia pode nesta situa\u00e7\u00e3o, ser t\u00e3o ou mais importante que a ajuda especializada, sendo certo que os casos de melhor evolu\u00e7\u00e3o s\u00e3o os dos doentes que contam com um apoio familiar consistente.<\/p><p>O surgimento da doen\u00e7a causa inevitavelmente um desvio na evolu\u00e7\u00e3o natural da estrutura familiar. N\u00e3o raras vezes, o aparecimento da sintomatologia altera as rela\u00e7\u00f5es de equil\u00edbrio familiar de forma centrifuga, \u201capanhando\u201d membros, fora do contexto familiar, e amigos. Como uma pedra que cai em \u00e1guas serenas, a bipolaridade gera \u201condas\u201d que se estendem muito para al\u00e9m das \u201cfronteiras\u201d familiares. Frequentemente surgem conflitos com os colegas de trabalho e o desemprego surge demasiadas vezes. Os amigos, reequacionam a sua rela\u00e7\u00e3o com a pessoa que se revelou bipolar. Por outro lado, os mitos existentes em rela\u00e7\u00e3o \u00e1 doen\u00e7a mental s\u00e3o, ainda hoje, suficientemente fortes para influenciarem de forma negativa todos os que s\u00e3o atingidos pela \u201conda centrifuga\u201d. Geralmente, contudo, a fam\u00edlia consegue esclarecer-se em rela\u00e7\u00e3o ao diagn\u00f3stico e a partir da\u00ed, pode passar por fases de grande inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de resistir a este desafio, de culpabilidade e mesmo de dramatismo excessivos, chegando eventualmente a uma fase de aceita\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o, conseguindo \u201celeger\u201d o elemento que, com maior lucidez, consegue lidar com a pessoa doente. Assim, em cada fam\u00edlia, ir\u00e1 surgir um elemento que se sentir\u00e1 mais capaz de lidar com o doente bipolar. Tal papel n\u00e3o tem de caber necessariamente ao familiar legalmente mais pr\u00f3ximo. De facto a \u201cerup\u00e7\u00e3o\u201d da doen\u00e7a pode acontecer numa fam\u00edlia j\u00e1 muito fragilizada, levando \u00e0 sua rotura. Neste caso pode acontecer, ser um cunhado, ou outro familiar, a tomar conta da situa\u00e7\u00e3o e ser ele a ponte entre o doente e os t\u00e9cnicos de sa\u00fade mental.<\/p><p>Qualquer doen\u00e7a cr\u00f3nica que se instala num dos elementos de uma fam\u00edlia, leva a que esta interrompa o seu desenvolvimento para se focar no elemento doente. Este fen\u00f3meno pode levar \u00e0 cristaliza\u00e7\u00e3o de processos que estavam em fase evolutiva, e assim, \u00e0 perpetua\u00e7\u00e3o de um estado de lat\u00eancia no desenvolvimento da estrutura familiar que, pode realmente ter consequ\u00eancias graves para todos os elementos, nomeadamente para o doente. Importa desde logo, que o m\u00e9dico que diagnostica a situa\u00e7\u00e3o informe o doente e a fam\u00edlia das possibilidades de preven\u00e7\u00e3o e tratamento das fases de agudiza\u00e7\u00e3o. De facto, o doente bipolar n\u00e3o deve ser considerado nem pela fam\u00edlia, nem por ele pr\u00f3prio, algu\u00e9m marcado pelo infort\u00fanio para quem s\u00e3o insuficientes todos os movimentos centr\u00edpetos dos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos. Antes, deve o doente ser responsabilizado pelo seu tratamento e pelo refor\u00e7o dos movimentos de cumplicidade que lhe s\u00e3o oferecidos. Por isso mesmo, o doente e a fam\u00edlia devem ser informados plenamente sobre a doen\u00e7a e devem estar conscientes que a doen\u00e7a bipolar \u00e9 potencialmente uma perturba\u00e7\u00e3o muito grave e que representa risco de vida para o doente. Tal como uma diabetes n\u00e3o controlada por neglig\u00eancia do pr\u00f3prio doente, a facilita\u00e7\u00e3o em que muitas vezes o doente bipolar cai, deve ser denunciada pela sua fam\u00edlia como desrespeito \u00e0 sua pr\u00f3pria pessoa e assim \u00e0 fam\u00edlia como um todo emocional. Por isso mesmo, o elemento \u201celeito\u201d da fam\u00edlia deve acompanhar o doente \u00e0s consultas e intervir de forma sensata na informa\u00e7\u00e3o a prestar ao cl\u00ednico que acompanha o doente. A doen\u00e7a bipolar \u201cinstala-se\u201d numa pessoa, mas afecta todos os elementos familiares. Estes elementos da fam\u00edlia, podem muitas vezes precisar de ser ajudados a resolver sentimentos de impot\u00eancia e de desespero que pertinentemente s\u00e3o levados a sentir. S\u00f3 com informa\u00e7\u00e3o e apoio \u00e9 que a fam\u00edlia do doente bipolar poder\u00e1 ser \u00fatil no acompanhamento do doente e prevenir pr\u00f3pria \u201cdistor\u00e7\u00e3o\u201d na sua din\u00e2mica natural. A procura de informa\u00e7\u00e3o e a partilha de experi\u00eancias, por parte de elementos ligados afectivamente ao doente, familiares ou n\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 inteiramente leg\u00edtima, como pertinente.<\/p><p>Tratando-se a doen\u00e7a bipolar de uma perturba\u00e7\u00e3o que leva a altera\u00e7\u00f5es graves no dom\u00ednio dos afectos, \u00e9 muito frequente que a fam\u00edlia sinta, por um lado uma certa culpabilidade na tentativa da compreens\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o e por outro uma certa frustra\u00e7\u00e3o na sua tentativa de impor o bom-senso e na sua participa\u00e7\u00e3o activa no tratamento. Assim, o principal papel da fam\u00edlia do doente bipolar \u00e9 o de criar um clima de confian\u00e7a e de abertura. Tal empenhamento deve ser refor\u00e7ado nos per\u00edodos inter-cr\u00edticos. Na grande maioria das situa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o faz sentido considerar o doente como pessoa a desrespeitar ou ser entendida como \u201cmenor\u201d no papel que lhe cabe na estrutura familiar. Pelo contr\u00e1rio, muitas vezes a doen\u00e7a mental, leva \u00e0 den\u00fancia de que existiam falhas graves na comunica\u00e7\u00e3o entre os membros da fam\u00edlia. O aparecimento da doen\u00e7a pode e deve levar \u00e0 correc\u00e7\u00e3o de tais falhas e n\u00e3o ao agravamento destas. \u00c9 t\u00e3o importante procurar ajuda especializada, quanto restaurar um clima de intimidade, de confian\u00e7a b\u00e1sica, com a pessoa com doen\u00e7a bipolar. As fam\u00edlias n\u00e3o devem considerar que a doen\u00e7a \u00e9 uma \u201cfaceta\u201dda pessoa, que s\u00f3 o psiquiatra pode abordar, compreender e tratar. Pelo contr\u00e1rio, a viv\u00eancia quotidiana com o doente pode levar a fam\u00edlia a reconhecer com maior perspic\u00e1cia, os factores potencialmente desencadeantes e, com maior precocidade, os sinais de descompensa\u00e7\u00e3o.<br \/>Contudo, \u00e9 sensato considerar que a irritabilidade, a altivez, a turbul\u00eancia e mesmo agressividade do doente em estado de mania, devem ser entendidas como fruto de um ju\u00edzo patol\u00f3gico, devendo suscitar uma preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o uma cr\u00edtica \u00e0 pessoa doente. Por outro lado, certas afirma\u00e7\u00f5es do doente quando est\u00e1 deprimido, devem ser alvo da maior aten\u00e7\u00e3o devendo o elemento familiar mais \u201cpr\u00f3ximo\u201d manifestar interesse em aprofundar qu\u00e3o triste e desesperado o doente est\u00e1. Tal manifesta\u00e7\u00e3o de interesse, al\u00e9m de permitir ao doente sentir que se pode \u201cabrir\u201d e partilhar os seus receios mais \u201c\u00edntimos\u201d, enfatiza a rela\u00e7\u00e3o afectiva e alivia a solid\u00e3o do doente. S\u00f3 com tal investimento afectivo, \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 fam\u00edlia um papel activo no cumprimento da medica\u00e7\u00e3o. S\u00f3 o restabelecimento de um di\u00e1logo aberto e empenhado permite \u00e0 fam\u00edlia aperceber-se da chegada das crises de modo \u00fatil.<\/p><p>Sendo um doente bipolar algu\u00e9m com dificuldades na gest\u00e3o dos afectos e emo\u00e7\u00f5es, este deve contar com uma fam\u00edlia que tenha um papel estruturante e coerente muito mais alicer\u00e7ado na intimidade e na cumplicidade, que na disciplina ou no autoritarismo.<\/p><p>BIBLIOGRAFIA:<br \/>L.-Strauss; K. Gough;M. Spirou. - A Fam\u00edlia como Institui\u00e7\u00e3o - Res Editora, Lda.1977.<br \/>Sampaio, D. \u2013 A Perspectiva sist\u00e9mica em Cl\u00ednica geral \u2013 Revista portuguesa de Cl\u00ednica Geral, 1988 \u2013 n\u00ba 32; 18-21<br \/>Trigueiros, A.; Santos, N. \u2013 Doen\u00e7a e Fam\u00edlia \u2013 Fam\u00edlia: Sa\u00fade e Doen\u00e7a. Instituto de Cl\u00ednica geral da Zona Sul, 1994<br \/>Breton, P. \u2013 L\u2019 utopie de la communication \u2013 \u00c9ditions La D\u00e9couverte, 1992<br \/>Mondimore, F. \u2013 Bipolar Disorde. A guide for patients and families \u2013 The Johns Hopkins University Press, 2002.<\/p><p>Ant\u00f3nio Sampaio<br \/>Psiquiatra Assistente graduado do H.J.M.<br \/>Mestre em Neuroci\u00eancias<\/p>","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[285,155,23,158,279,182,159],"class_list":["post-28497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-antonio-sampaio","tag-bipolar","tag-egoclinic","tag-familia","tag-psiquiatra","tag-psiquiatria","tag-sociedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28497"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29291,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28497\/revisions\/29291"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}