{"id":28521,"date":"2008-01-01T13:28:15","date_gmt":"2008-01-01T13:28:15","guid":{"rendered":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/?p=28521"},"modified":"2019-01-29T19:56:52","modified_gmt":"2019-01-29T19:56:52","slug":"perturbacoes-da-personalidade-vs-doenca-unipolar-e-bipolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/2008\/01\/perturbacoes-da-personalidade-vs-doenca-unipolar-e-bipolar\/","title":{"rendered":"Perturba\u00e7\u00f5es da Personalidade vs Doen\u00e7a Unipolar e Bipolar"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;section&#8221; width_unit=&#8221;off&#8221; fullwidth=&#8221;on&#8221; specialty=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; next_background_color=&#8221;#000000&#8243; custom_padding_tablet=&#8221;50px|0|50px|0&#8243; custom_padding_last_edited=&#8221;on|desktop&#8221;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;ARTIGOS&#8221; scroll_down_icon=&#8221;\ue04c&#8221; background_color=&#8221;#3d4b59&#8243; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; background_image=&#8221;https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/tild3636-6265-4163-b562-616631623338__fonemma.png&#8221; \/][et_pb_fullwidth_post_title _builder_version=&#8221;3.9&#8243; featured_image=&#8221;off&#8221; categories=&#8221;off&#8221; comments=&#8221;off&#8221; \/][\/et_pb_section][et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; prev_background_color=&#8221;#000000&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text]<\/p>\n<div class=\"inartsub\"><em>Dr. Ant\u00f3nio Sampaio in BIPOLAR n\u00ba33 &#8211; Revista da ADEB<\/em><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div class=\"inarttext\">\n<p><strong>A <em>personalidade<\/em> \u00e9 a forma de cada pessoa estar no mundo e de vivenciar os acontecimentos.<\/strong><\/p>\n<p>Pode definir-se <em>personalidade<\/em> como aquilo que distingue um indiv\u00edduo de outros indiv\u00edduos, ou seja, o conjunto de caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas que determinam a sua<em>individualidade<\/em> pessoal e social. \u00c9 o conjunto de sentimentos, valores, cren\u00e7as e atitudes que se manifestam em rela\u00e7\u00e3o com o mundo e que emanam da<em>individualidade<\/em>.<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>, contudo, \u00e9 processo gradual, complexo e \u00fanico a cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>A <em>personalidade<\/em> resulta do mecanismo psicol\u00f3gico que articula as emo\u00e7\u00f5es, os impulsos e as motiva\u00e7\u00f5es de natureza instintiva com a pr\u00f3pria corporalidade e com o mundo externo. A forma satisfat\u00f3ria com que tal articula\u00e7\u00e3o \u00e9 feita determina a normalidade da <em>personalidade<\/em>. A normalidade da personalidade depende tanto da individualidade do sujeito como dos objectos que precocemente est\u00e3o &#8220;presentes&#8221;. Naturalmente que uma &#8220;insuficiente&#8221; ou &#8220;desadequada&#8221; resposta dos objectos poder\u00e1 levar a um &#8220;aumento&#8221; de um determinado &#8220;tra\u00e7o&#8221; de <em>personalidade<\/em>.<\/p>\n<p>Com efeito, a qualidade das rela\u00e7\u00f5es precoces e o processo de vincula\u00e7\u00e3o m\u00e3e &#8211; filho, e mais tarde a qualidade e complexidade das rela\u00e7\u00f5es com os outros &#8220;objectos&#8221; parecem ser fundamentais na estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>. O processo de autonomia, de socializa\u00e7\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o de valores e da pr\u00f3pria auto-estima ir\u00e1 influenciar de forma determinante, embora n\u00e3o imut\u00e1vel, a forma de estar no mundo.<\/p>\n<p>Quando as caracter\u00edsticas da <em>personalidade<\/em> levam a uma desadapta\u00e7\u00e3o funcional e\/ou a sofrimento, estaremos em presen\u00e7a de uma perturba\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>.<\/p>\n<p>No estudo da depressividade importa distinguir a pessoa com <em>personalidade<\/em>depressiva, ou outra perturba\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>, da pessoa com <em>perturba\u00e7\u00e3o unipolar ou bipolar<\/em>.<\/p>\n<p>Na <strong>depress\u00e3o<\/strong> propriamente dita aconteceu a perda. Perda do objecto mas tamb\u00e9m de parte do eu. Perda objectal + perda narc\u00edsica.<\/p>\n<p>Na <strong>perturba\u00e7\u00e3o depressiva da personalidade<\/strong> (&#8220;estrutura depressiva&#8221;) n\u00e3o h\u00e1 perda, mas falta. O que acontece \u00e9 a inviabilidade do amor fantasiado. N\u00e3o existe perda do que nunca se teve.<\/p>\n<p>Poder\u00e1, contudo, existir perda do que se imaginou ter. A idealiza\u00e7\u00e3o do objecto ir\u00e1 determinar o grau de insatisfa\u00e7\u00e3o e mesmo o desejo da perda do objecto idealizado, a que se associar\u00e1 a perda culposa.<\/p>\n<p>De uma forma geral podemos dizer que na &#8220;estrutura depressiva&#8221; existe uma falta do desejado.<\/p>\n<p>Na sua g\u00e9nese a <strong>personalidade depressiva<\/strong> relaciona-se com acontecimentos mais precoces que a <strong>doen\u00e7a depressiva<\/strong>.<\/p>\n<p>Na <strong>personalidade depressiva<\/strong> acontece uma internaliza\u00e7\u00e3o do mau-objecto e a sua projec\u00e7\u00e3o no ambiente pode facilmente levar a reac\u00e7\u00f5es paranoides persecut\u00f3rias. Por outro lado uma retrac\u00e7\u00e3o narc\u00edsica com apagamento dos la\u00e7os afectivos objectais, pode levar o indiv\u00edduo a um afastamento da realidade absorvendo-se em pensamentos m\u00e1gicos ou em investimento pelas coisas (em vez das pessoas).<\/p>\n<p>Na<strong> doen\u00e7a depressiva<\/strong> h\u00e1 um reinvestimento narc\u00edsico muito fixado em objectos internos. Surgem o pensamento po\u00e9tico e a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica na sua concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>O <strong>doente depressivo<\/strong> tende a n\u00e3o consubstancializar as sua rela\u00e7\u00f5es afectivas, a n\u00e3o viv\u00ea-las at\u00e9 ao limite com receio da perda. N\u00e3o se permitindo amar de forma inteira n\u00e3o faz lutos mas depress\u00f5es. \u00c9 um eterno apaixonado por um passado idealizado que n\u00e3o deixa que o presente aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Na <strong>personalidade depressiva<\/strong>, a car\u00eancia de um bom abjecto securizante narcisicamente, pode levar a um &#8220;vazio&#8221; permanente. Quando o investimento narc\u00edsico se faz por identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 figura materna &#8220;cria-se&#8221; uma homossexualidade latente ou n\u00e3o, mas insatisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Por vezes a perturba\u00e7\u00e3o da personalidade pode ser mais grave e haver um vazio interior com &#8220;eros\u00e3o narc\u00edsica&#8221; que leva a movimentos compensat\u00f3rios. Tais movimentos visam sobretudo evitar o abandono. A clivagem afectiva que leva \u00e0 &#8220;bipolariza\u00e7\u00e3o&#8221; &#8211; bom e mau objecto, leva a movimentos de idealiza\u00e7\u00e3o e de desvaloriza\u00e7\u00e3o do objecto. Nada escapa a estas personalidades que t\u00eam de &#8220;experimentar&#8221; tudo e todos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong>De facto, a DSM-IV enuncia os crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico de Perturba\u00e7\u00e3o limite da personalidade do seguinte modo:<br \/><\/strong><\/p>\n<p>\u201dPadr\u00e3o global de instabilidade no relacionamento interpessoal, auto-imagem e afectos, e impulsividade marcada com come\u00e7o no inicio da idade adulta e presente numa variedade de contextos, como por 5 (ou mais) dos seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>esfor\u00e7os fren\u00e9ticos para evitar o abandono real ou imaginado;<\/li>\n<li>um padr\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es interpessoais intensas e inst\u00e1veis, caracterizadas por altern\u00e2ncia extrema entre idealiza\u00e7\u00e3o e desvaloriza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>perturba\u00e7\u00e3o da identidade: instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento de si pr\u00f3prio;<\/li>\n<li>impulsividade pelo menos em duas \u00e1reas que s\u00e3o potencialmente autolesivas ( gastos, sexo, abuso de\u00a0subst\u00e2ncias, condu\u00e7\u00e3o ousada, ingest\u00e3o alimentar maci\u00e7a).<\/li>\n<li>comportamentos, gestos ou amea\u00e7as recorrentes de suic\u00eddio ou de comportamento automutilante;<\/li>\n<li>instabilidade afectiva por reactividade de humor marcada (p. ex. : epis\u00f3dios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade\u2026)<\/li>\n<li>sentimento cr\u00f3nico de vazio;<\/li>\n<li>raiva intensa e inapropriada ou dificuldades de a controlar (p. ex.: epis\u00f3dios de perda de calma,\u00a0raiva constante, brigas constantes);<\/li>\n<li>idea\u00e7\u00e3o paranoide transit\u00f3ria reactiva ao stress ou sintomas dissociativos graves.&#8221;<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Tais crit\u00e9rios incluem uma n\u00edtida sobreposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sintomatologia bipolar.<\/p>\n<p>Existe na <em>personalidade<\/em> limite uma altern\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es. Tais pessoas manifestam alternadamente<br \/>sentimentos de paix\u00e3o e de \u00f3dio pelos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos. Uma altern\u00e2ncia entre uma apatia (oriunda de uma anula\u00e7\u00e3o afectiva) e uma hiperactividade maniforme em busca de est\u00edmulos que lhes emprestem uma ideia de exist\u00eancia, pode induzir ao diagn\u00f3stico de Doen\u00e7a Bipolar.<\/p>\n<p>\u00c9 o perfil da historicidade destas pessoas que nos d\u00e1 o diagn\u00f3stico diferencial. Na<strong>perturba\u00e7\u00e3o grave da personalidade<\/strong> o que \u00e9 permanente \u00e9 a instabilidade na identidade, na falta de coer\u00eancia externa e interna, na aus\u00eancia de um projecto existencial e na aus\u00eancia de uma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na <strong>doen\u00e7a bipolar<\/strong> as altera\u00e7\u00f5es do comportamento enxertam-se numa identidade e num projecto pessoal, que \u00e9 prejudicado pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 assim, na aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>individualidade<\/em> que se consegue distinguir as duas perturba\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dr. Ant\u00f3nio Sampaio<br \/><em>M\u00e9dico Psiquiatra<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A personalidade \u00e9 a forma de cada pessoa estar no mundo e de vivenciar os acontecimentos.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"<div class=\"inartsub\"><em>Dr. Ant\u00f3nio Sampaio in BIPOLAR n\u00ba33 - Revista da ADEB<\/em><\/div><div>\u00a0<\/div><div class=\"inarttext\"><p><strong>A <em>personalidade<\/em> \u00e9 a forma de cada pessoa estar no mundo e de vivenciar os acontecimentos.<\/strong><\/p><p>Pode definir-se <em>personalidade<\/em> como aquilo que distingue um indiv\u00edduo de outros indiv\u00edduos, ou seja, o conjunto de caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas que determinam a sua<em>individualidade<\/em> pessoal e social. \u00c9 o conjunto de sentimentos, valores, cren\u00e7as e atitudes que se manifestam em rela\u00e7\u00e3o com o mundo e que emanam da<em>individualidade<\/em>.<\/p><p>A forma\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>, contudo, \u00e9 processo gradual, complexo e \u00fanico a cada indiv\u00edduo.<\/p><p>A <em>personalidade<\/em> resulta do mecanismo psicol\u00f3gico que articula as emo\u00e7\u00f5es, os impulsos e as motiva\u00e7\u00f5es de natureza instintiva com a pr\u00f3pria corporalidade e com o mundo externo. A forma satisfat\u00f3ria com que tal articula\u00e7\u00e3o \u00e9 feita determina a normalidade da <em>personalidade<\/em>. A normalidade da personalidade depende tanto da individualidade do sujeito como dos objectos que precocemente est\u00e3o \"presentes\". Naturalmente que uma \"insuficiente\" ou \"desadequada\" resposta dos objectos poder\u00e1 levar a um \"aumento\" de um determinado \"tra\u00e7o\" de <em>personalidade<\/em>.<\/p><p>Com efeito, a qualidade das rela\u00e7\u00f5es precoces e o processo de vincula\u00e7\u00e3o m\u00e3e - filho, e mais tarde a qualidade e complexidade das rela\u00e7\u00f5es com os outros \"objectos\" parecem ser fundamentais na estrutura\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da <em>personalidade<\/em>. 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O que acontece \u00e9 a inviabilidade do amor fantasiado. N\u00e3o existe perda do que nunca se teve.<\/p><p>Poder\u00e1, contudo, existir perda do que se imaginou ter. A idealiza\u00e7\u00e3o do objecto ir\u00e1 determinar o grau de insatisfa\u00e7\u00e3o e mesmo o desejo da perda do objecto idealizado, a que se associar\u00e1 a perda culposa.<\/p><p>De uma forma geral podemos dizer que na \"estrutura depressiva\" existe uma falta do desejado.<\/p><p>Na sua g\u00e9nese a <strong>personalidade depressiva<\/strong> relaciona-se com acontecimentos mais precoces que a <strong>doen\u00e7a depressiva<\/strong>.<\/p><p>Na <strong>personalidade depressiva<\/strong> acontece uma internaliza\u00e7\u00e3o do mau-objecto e a sua projec\u00e7\u00e3o no ambiente pode facilmente levar a reac\u00e7\u00f5es paranoides persecut\u00f3rias. Por outro lado uma retrac\u00e7\u00e3o narc\u00edsica com apagamento dos la\u00e7os afectivos objectais, pode levar o indiv\u00edduo a um afastamento da realidade absorvendo-se em pensamentos m\u00e1gicos ou em investimento pelas coisas (em vez das pessoas).<\/p><p>Na<strong> doen\u00e7a depressiva<\/strong> h\u00e1 um reinvestimento narc\u00edsico muito fixado em objectos internos. Surgem o pensamento po\u00e9tico e a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica na sua concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica.<\/p><p>O <strong>doente depressivo<\/strong> tende a n\u00e3o consubstancializar as sua rela\u00e7\u00f5es afectivas, a n\u00e3o viv\u00ea-las at\u00e9 ao limite com receio da perda. N\u00e3o se permitindo amar de forma inteira n\u00e3o faz lutos mas depress\u00f5es. \u00c9 um eterno apaixonado por um passado idealizado que n\u00e3o deixa que o presente aconte\u00e7a.<\/p><p>Na <strong>personalidade depressiva<\/strong>, a car\u00eancia de um bom abjecto securizante narcisicamente, pode levar a um \"vazio\" permanente. Quando o investimento narc\u00edsico se faz por identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 figura materna \"cria-se\" uma homossexualidade latente ou n\u00e3o, mas insatisfat\u00f3ria.<\/p><p>Por vezes a perturba\u00e7\u00e3o da personalidade pode ser mais grave e haver um vazio interior com \"eros\u00e3o narc\u00edsica\" que leva a movimentos compensat\u00f3rios. Tais movimentos visam sobretudo evitar o abandono. A clivagem afectiva que leva \u00e0 \"bipolariza\u00e7\u00e3o\" - bom e mau objecto, leva a movimentos de idealiza\u00e7\u00e3o e de desvaloriza\u00e7\u00e3o do objecto. Nada escapa a estas personalidades que t\u00eam de \"experimentar\" tudo e todos.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>De facto, a DSM-IV enuncia os crit\u00e9rios para o diagn\u00f3stico de Perturba\u00e7\u00e3o limite da personalidade do seguinte modo:<br \/><\/strong><\/p><p>\u201dPadr\u00e3o global de instabilidade no relacionamento interpessoal, auto-imagem e afectos, e impulsividade marcada com come\u00e7o no inicio da idade adulta e presente numa variedade de contextos, como por 5 (ou mais) dos seguintes:<\/p><ul><li>esfor\u00e7os fren\u00e9ticos para evitar o abandono real ou imaginado;<\/li><li>um padr\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es interpessoais intensas e inst\u00e1veis, caracterizadas por altern\u00e2ncia extrema entre idealiza\u00e7\u00e3o e desvaloriza\u00e7\u00e3o;<\/li><li>perturba\u00e7\u00e3o da identidade: instabilidade persistente e marcada da auto-imagem ou do sentimento de si pr\u00f3prio;<\/li><li>impulsividade pelo menos em duas \u00e1reas que s\u00e3o potencialmente autolesivas ( gastos, sexo, abuso de\u00a0subst\u00e2ncias, condu\u00e7\u00e3o ousada, ingest\u00e3o alimentar maci\u00e7a).<\/li><li>comportamentos, gestos ou amea\u00e7as recorrentes de suic\u00eddio ou de comportamento automutilante;<\/li><li>instabilidade afectiva por reactividade de humor marcada (p. ex. : epis\u00f3dios intensos de disforia, irritabilidade ou ansiedade\u2026)<\/li><li>sentimento cr\u00f3nico de vazio;<\/li><li>raiva intensa e inapropriada ou dificuldades de a controlar (p. ex.: epis\u00f3dios de perda de calma,\u00a0raiva constante, brigas constantes);<\/li><li>idea\u00e7\u00e3o paranoide transit\u00f3ria reactiva ao stress ou sintomas dissociativos graves.\"<\/li><\/ul><p>\u00a0<\/p><p>Tais crit\u00e9rios incluem uma n\u00edtida sobreposi\u00e7\u00e3o \u00e0 sintomatologia bipolar.<\/p><p>Existe na <em>personalidade<\/em> limite uma altern\u00e2ncia nas rela\u00e7\u00f5es. Tais pessoas manifestam alternadamente<br \/>sentimentos de paix\u00e3o e de \u00f3dio pelos que lhe s\u00e3o pr\u00f3ximos. Uma altern\u00e2ncia entre uma apatia (oriunda de uma anula\u00e7\u00e3o afectiva) e uma hiperactividade maniforme em busca de est\u00edmulos que lhes emprestem uma ideia de exist\u00eancia, pode induzir ao diagn\u00f3stico de Doen\u00e7a Bipolar.<\/p><p>\u00c9 o perfil da historicidade destas pessoas que nos d\u00e1 o diagn\u00f3stico diferencial. Na<strong>perturba\u00e7\u00e3o grave da personalidade<\/strong> o que \u00e9 permanente \u00e9 a instabilidade na identidade, na falta de coer\u00eancia externa e interna, na aus\u00eancia de um projecto existencial e na aus\u00eancia de uma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p><p>Na <strong>doen\u00e7a bipolar<\/strong> as altera\u00e7\u00f5es do comportamento enxertam-se numa identidade e num projecto pessoal, que \u00e9 prejudicado pela doen\u00e7a.<\/p><p>\u00c9 assim, na aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 <em>individualidade<\/em> que se consegue distinguir as duas perturba\u00e7\u00f5es.<\/p><p>\u00a0<\/p><p style=\"text-align: right;\">Dr. Ant\u00f3nio Sampaio<br \/><em>M\u00e9dico Psiquiatra<\/em><\/p><\/div>","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[5],"tags":[285,155,21,196,23,100,115,279,182,195],"class_list":["post-28521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos","tag-antonio-sampaio","tag-bipolar","tag-depressao","tag-depressiva","tag-egoclinic","tag-personalidade","tag-perturbacao","tag-psiquiatra","tag-psiquiatria","tag-unipolar"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=28521"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29321,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/28521\/revisions\/29321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=28521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=28521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=28521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}