{"id":28525,"date":"2007-03-02T13:30:23","date_gmt":"2007-03-02T13:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/?p=28525"},"modified":"2019-01-29T19:56:52","modified_gmt":"2019-01-29T19:56:52","slug":"acerca-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/2007\/03\/acerca-do-amor\/","title":{"rendered":"Acerca do Amor"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; admin_label=&#8221;section&#8221; width_unit=&#8221;off&#8221; fullwidth=&#8221;on&#8221; specialty=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; next_background_color=&#8221;#000000&#8243; custom_padding_tablet=&#8221;50px|0|50px|0&#8243; custom_padding_last_edited=&#8221;on|desktop&#8221;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;ARTIGOS&#8221; scroll_down_icon=&#8221;\ue04c&#8221; background_color=&#8221;#3d4b59&#8243; _builder_version=&#8221;3.9&#8243; background_image=&#8221;https:\/\/egoclinic.pt\/PT\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/tild3636-6265-4163-b562-616631623338__fonemma.png&#8221; \/][et_pb_fullwidth_post_title _builder_version=&#8221;3.9&#8243; featured_image=&#8221;off&#8221; categories=&#8221;off&#8221; comments=&#8221;off&#8221; \/][\/et_pb_section][et_pb_section bb_built=&#8221;1&#8243; prev_background_color=&#8221;#000000&#8243;][et_pb_row][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243;][et_pb_text]<\/p>\n<div class=\"inartsub\"><em>Dr. Ant\u00f3nio Sampaio in BIPOLAR n\u00ba24 &#8211; Revista da ADEB<\/em><\/div>\n<div class=\"inarttext\">\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Qualquer trabalho sobre o amor contempla a pr\u00f3pria humanidade. De facto o amor \u00e9 intrinseco \u00e0 humanidade. \u00c9 o homem que ama. Nos outros animais podemos ver equivalentes, mas a express\u00e3o dos afectos \u00e9 apenas resultado do seu patrim\u00f3nio instintivo.<\/p>\n<p>O homem ama como resultado de uma qualquer coisa muito mais complexa. O homem vive apercebendo-se das suas d\u00favidas, da sua finitude, da sua solid\u00e3o. E \u00e9 na tomada de consci\u00eancia dessas situa\u00e7\u00f5es limite que ele precisa de encontrar qualquer coisa que o ligue ao todo da humanidade e lhe devolva a plenitude da exist\u00eancia. O homem apercebe-se que s\u00f3 \u00e9 algu\u00e9m com o outro, que sozinho n\u00e3o \u00e9 nada. E \u00e9 na luta contra a solid\u00e3o que o amor acontece.<\/p>\n<p>No amor que acontece entre duas pessoas, o que existe \u00e9 o desejo de fus\u00e3o completa. O amor leva ao desaparecimento de barreiras entre os dois amantes. A amor \u00e9 a intimidade por excel\u00eancia idealmente consumida atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o sexual. A uni\u00e3o sexual simboliza a fus\u00e3o. E \u00e9 assim que acontece a uni\u00e3o fisica que derrota a separa\u00e7\u00e3o.<br \/>N\u00e3o \u00e9 assim de estranhar que o amor fa\u00e7a gerar o desejo de uni\u00e3o sexual. Neste contexto, o do amor erotizado, a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o envolve o desejo de conquista mas t\u00e3o somente o desejo de fus\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto acontece o amor entre duas pessoas, ele \u00e9 realmente exclusivo, isto \u00e9, \u00e9 vivido apenas por elas. Contudo esse amor cont\u00e9m simbolicamente a uni\u00e3o com toda a humanidade. Esse fen\u00f3meno faz do amor a verdadeira religi\u00e3o. \u00c9 que ao acontecer o amor dissolve o narcisismo e torna o homem maior e universal.<br \/>N\u00e3o \u00e9 o amor o que acontece quando nos ligamos a outra pessoa pela incapacidade de estarmos s\u00f3s. Amor \u00e9 o que acontece quando voluntariamente nos ligamos a outra pessoa capazes de vivermos, primeiro connosco e de ter adquirido um conhecimento intimo. Para me poder entregar totalmente tenho de primeiro me conhecer a mim pr\u00f3prio. Quanto mais fundo eu tiver ido no meu auto-conhecimento mais completa ser\u00e1 a minha entrega.<\/p>\n<p>Amar \u00e9 uma arte. Como na arte, ama-se indo para al\u00e9m do real, do finito, do diz\u00edvel e do tang\u00edvel. A arte implica trabalho criativo e n\u00e3o apenas produtivo. A cria\u00e7\u00e3o de qualquer arte n\u00e3o \u00e9, pela raz\u00e3o, indispens\u00e1vel mas d\u00e1 \u00e1 humanidade outra dimens\u00e3o existencial. Tamb\u00e9m o amor quando acontece transporta o homem para outra dimens\u00e3o. O amor como pe\u00e7a de arte \u00e9 uma obra \u00fanica em cada homem que o faz. Alguns homens pela sua natureza, pela sua maneira de estar, v\u00e3o na arte e\/ou no amor mais longe, conseguem-no de forma mais completa e duradoura.<\/p>\n<p>\u00c9 artista aquele que consegue criar a obra e atrav\u00e9s dela unir-se com o mundo. \u00c9 o desejo de ultrapassar a pr\u00f3pria individualidade e de alcan\u00e7ar o outro que move o homem para a cria\u00e7\u00e3o. A arte \u00e9 o ve\u00edculo da fus\u00e3o do homem com a humanidade de forma intemporal.<br \/>Assim a arte pode surgir como um imperativo nos que se sentem mais pr\u00f3ximos da loucura que o isolamento encerra. Naqueles em que a solid\u00e3o \u00e9 mais amea\u00e7adora surge frequentemente o engenho para a cria\u00e7\u00e3o de pontes de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 humanidade.<br \/>Amar \u00e9 uma arte e a arte \u00e9 o amor pela humanidade.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 tamb\u00e9m motivado pela necessidade de conhecer o outro, \u00e0vidos que somos do conhecimento da pr\u00f3pria natureza humana. \u00c9 tamb\u00e9m dessa necessidade, que vai al\u00e9m do corpo, do racional, que emerge a paix\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Dr. Ant\u00f3nio Sampaio<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qualquer trabalho sobre o amor contempla a pr\u00f3pria humanidade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":11,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"<div class=\"inartsub\"><em>Dr. Ant\u00f3nio Sampaio in BIPOLAR n\u00ba24 - Revista da ADEB<\/em><\/div><div class=\"inarttext\"><p>\u00a0<\/p><p>Qualquer trabalho sobre o amor contempla a pr\u00f3pria humanidade. De facto o amor \u00e9 intrinseco \u00e0 humanidade. \u00c9 o homem que ama. Nos outros animais podemos ver equivalentes, mas a express\u00e3o dos afectos \u00e9 apenas resultado do seu patrim\u00f3nio instintivo.<\/p><p>O homem ama como resultado de uma qualquer coisa muito mais complexa. O homem vive apercebendo-se das suas d\u00favidas, da sua finitude, da sua solid\u00e3o. E \u00e9 na tomada de consci\u00eancia dessas situa\u00e7\u00f5es limite que ele precisa de encontrar qualquer coisa que o ligue ao todo da humanidade e lhe devolva a plenitude da exist\u00eancia. O homem apercebe-se que s\u00f3 \u00e9 algu\u00e9m com o outro, que sozinho n\u00e3o \u00e9 nada. E \u00e9 na luta contra a solid\u00e3o que o amor acontece.<\/p><p>No amor que acontece entre duas pessoas, o que existe \u00e9 o desejo de fus\u00e3o completa. O amor leva ao desaparecimento de barreiras entre os dois amantes. A amor \u00e9 a intimidade por excel\u00eancia idealmente consumida atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o sexual. A uni\u00e3o sexual simboliza a fus\u00e3o. E \u00e9 assim que acontece a uni\u00e3o fisica que derrota a separa\u00e7\u00e3o.<br \/>N\u00e3o \u00e9 assim de estranhar que o amor fa\u00e7a gerar o desejo de uni\u00e3o sexual. Neste contexto, o do amor erotizado, a rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o envolve o desejo de conquista mas t\u00e3o somente o desejo de fus\u00e3o.<\/p><p>Quanto acontece o amor entre duas pessoas, ele \u00e9 realmente exclusivo, isto \u00e9, \u00e9 vivido apenas por elas. Contudo esse amor cont\u00e9m simbolicamente a uni\u00e3o com toda a humanidade. Esse fen\u00f3meno faz do amor a verdadeira religi\u00e3o. \u00c9 que ao acontecer o amor dissolve o narcisismo e torna o homem maior e universal.<br \/>N\u00e3o \u00e9 o amor o que acontece quando nos ligamos a outra pessoa pela incapacidade de estarmos s\u00f3s. Amor \u00e9 o que acontece quando voluntariamente nos ligamos a outra pessoa capazes de vivermos, primeiro connosco e de ter adquirido um conhecimento intimo. Para me poder entregar totalmente tenho de primeiro me conhecer a mim pr\u00f3prio. Quanto mais fundo eu tiver ido no meu auto-conhecimento mais completa ser\u00e1 a minha entrega.<\/p><p>Amar \u00e9 uma arte. Como na arte, ama-se indo para al\u00e9m do real, do finito, do diz\u00edvel e do tang\u00edvel. A arte implica trabalho criativo e n\u00e3o apenas produtivo. A cria\u00e7\u00e3o de qualquer arte n\u00e3o \u00e9, pela raz\u00e3o, indispens\u00e1vel mas d\u00e1 \u00e1 humanidade outra dimens\u00e3o existencial. Tamb\u00e9m o amor quando acontece transporta o homem para outra dimens\u00e3o. O amor como pe\u00e7a de arte \u00e9 uma obra \u00fanica em cada homem que o faz. Alguns homens pela sua natureza, pela sua maneira de estar, v\u00e3o na arte e\/ou no amor mais longe, conseguem-no de forma mais completa e duradoura.<\/p><p>\u00c9 artista aquele que consegue criar a obra e atrav\u00e9s dela unir-se com o mundo. \u00c9 o desejo de ultrapassar a pr\u00f3pria individualidade e de alcan\u00e7ar o outro que move o homem para a cria\u00e7\u00e3o. A arte \u00e9 o ve\u00edculo da fus\u00e3o do homem com a humanidade de forma intemporal.<br \/>Assim a arte pode surgir como um imperativo nos que se sentem mais pr\u00f3ximos da loucura que o isolamento encerra. 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